
A governadora Raquel Lyra reuniu nesta segunda-feira (25), no Palácio do Campo das Princesas, empresários, sindicatos e entidades ligadas ao Polo de Confecções do Agreste para discutir os impactos da Medida Provisória nº 1357/2026, conhecida como “taxa das blusinhas”. A medida atualiza as regras de tributação simplificada de remessas postais internacionais e zera o imposto de importação para compras de até US$ 50.
Durante o encontro, a governadora anunciou a criação de um grupo de trabalho que terá a missão de acompanhar as discussões no Congresso Nacional e apresentar, em até 30 dias, propostas voltadas à proteção e fortalecimento do setor têxtil e de confecções em Pernambuco. Segundo Raquel, a preocupação central é a preservação dos empregos gerados pela cadeia produtiva, que atualmente soma cerca de 300 mil postos de trabalho e 14 mil estabelecimentos formais e informais em todo o Estado.
“A manutenção dos empregos deve ser a tônica dessa discussão. Precisamos fortalecer o setor, ampliar a qualificação profissional e trabalhar a divulgação da moda pernambucana para todo o Brasil”, destacou a governadora.
O presidente do Núcleo Gestor da Cadeia Têxtil e de Confecções em Pernambuco (NTCPE), Pedro Miranda, avaliou positivamente a iniciativa do Governo do Estado em abrir diálogo com o segmento logo após a publicação da MP. Segundo ele, o setor defende a isenção de tributos para a indústria nacional como forma de garantir competitividade e estimular a geração de emprego e renda em Pernambuco.
Durante a reunião, representantes do Polo apresentaram seis propostas consideradas prioritárias para enfrentar os efeitos da concorrência internacional. Entre elas estão a defesa tributária dos produtos de confecção, políticas de capacitação e encadeamento produtivo, criação de incentivos fiscais específicos para o setor, implantação de uma Companhia Nacional de Promoção da Moda Pernambucana, realização de uma nova pesquisa socioeconômica da cadeia têxtil e revisão das medidas antidumping sobre tecidos à base de poliéster.
A secretária de Desenvolvimento Econômico, Danielle Jar Souto, afirmou que o governo já mantém uma escuta ativa junto aos municípios que integram o Polo de Confecções, buscando identificar as demandas mais urgentes da cadeia produtiva.
Já o presidente do Sindtêxtil-PE, João Bezerra, ressaltou que o Governo de Pernambuco vem demonstrando sensibilidade com o setor, especialmente em áreas como infraestrutura, e defendeu a construção conjunta de alternativas para minimizar os impactos das mudanças no comércio internacional.
A discussão sobre os impactos da MP terá continuidade nesta terça-feira (26), durante audiência pública promovida pela Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe). O deputado estadual Edson Vieira afirmou que haverá articulação junto à bancada federal em busca de compensações para o Polo de Confecções. Já o deputado estadual Adalto Santos destacou a importância econômica e social dos trabalhadores da sulanca para Pernambuco.
Prefeitos de municípios que integram o Polo também participaram da reunião. O prefeito de Toritama, Sérgio Colin, defendeu igualdade de competitividade entre o Polo de Confecções e os produtos importados. Já o prefeito de Santa Cruz do Capibaribe, Helinho Aragão, informou que uma comitiva do setor irá buscar diálogo com o Ministério da Fazenda para discutir alternativas ao segmento.
Também estiveram presentes representantes de entidades empresariais e comerciais de Caruaru, Santa Cruz do Capibaribe e Toritama, além de integrantes do Governo do Estado e gestores municipais ligados ao Polo de Confecções do Agreste.
