Michelle deixa comando do PL Mulher e aprofunda crise no bolsonarismo

Mário Flávio - 30.06.2026 às 20:33h

A crise interna no bolsonarismo ganhou um novo e significativo capítulo nesta terça-feira (30). A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro anunciou que está deixando a presidência nacional do PL Mulher, decisão tomada poucos dias após tornar público o desentendimento com o senador Flávio Bolsonaro. O episódio amplia o desgaste dentro do principal grupo político ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro e evidencia o momento de turbulência vivido pelo Partido Liberal.

A crise começou na semana passada, quando Michelle divulgou um vídeo relatando ter sido “desrespeitada”, “maltratada” e “humilhada” por Flávio Bolsonaro durante uma ligação telefônica. Segundo ela, o conflito ocorreu após críticas à articulação do PL no Ceará. A ex-primeira-dama classificou a atitude do senador como uma “punhalada”. Em resposta, Flávio pediu desculpas publicamente, negou ter tido a intenção de ofendê-la e defendeu a união da direita, mas o gesto não foi suficiente para encerrar o desgaste.

Nos bastidores, o embate provocou reações dentro do próprio PL. Integrantes da legenda passaram a defender mudanças na condução do PL Mulher e avaliaram que a exposição pública da crise prejudicou a estratégia eleitoral do partido, especialmente junto ao eleitorado feminino e evangélico, segmento no qual Michelle é considerada uma das principais lideranças conservadoras do país.

Ao anunciar sua saída da presidência do PL Mulher, Michelle afirmou, em nota divulgada nas redes sociais do movimento, que a decisão foi tomada após reflexão com Jair Bolsonaro e comunicada ao presidente nacional do partido, Valdemar Costa Neto. Segundo ela, o afastamento tem como objetivo dedicar-se “integralmente” aos cuidados com o marido e com a filha.

Na mensagem, Michelle agradeceu à vice-presidente nacional do PL Mulher, Priscila Costa, às presidentes estaduais e municipais, à equipe da direção nacional da legenda e a Valdemar Costa Neto pela confiança depositada durante sua gestão. Ela encerrou a nota desejando que o trabalho desenvolvido pelo movimento continue crescendo e pedindo bênçãos para as famílias brasileiras e para o país.

A saída da ex-primeira-dama ocorre em meio a um momento delicado para o bolsonarismo. Além de expor divergências familiares e políticas, o episódio aumenta as incertezas sobre a estratégia eleitoral do PL para 2026 e representa mais um fator de tensão na pré-campanha presidencial do partido.