Gilmar Mendes ameaça Kassio Nunes Marques, que o bloqueia no Zap

Mário Flávio - 15.09.2026 às 20:36h

O ministro Gilmar Mendes, decano do Supremo Tribunal Federal (STF), enviou mensagens ríspidas ao colega Kassio Nunes Marques, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), cobrando que ele deixe julgamentos ligados ao caso Banco Master e se afaste também do comando da Justiça Eleitoral. Após a conversa, ocorrida na última terça-feira (8), Kassio bloqueou o contato de Gilmar Mendes no WhatsApp.

O diálogo foi divulgado pelo Metrópoles e reproduzido por outros veículos nesta segunda-feira (15). A troca ocorreu no mesmo dia em que a 2ª Turma do STF formou maioria pelo afastamento de Andrei Rodrigues da direção-geral da Polícia Federal. Gilmar estava na Itália, onde participava de um casamento, e pediu vista do processo.

Nas mensagens, Gilmar afirma que Kassio Nunes Marques e Luiz Fux deveriam reconhecer que estariam comprometidos no caso e deixar os processos. “Assumam q estão ferrados e saiam dos processos. Abram as contas”, escreveu o decano.

Kassio reagiu pedindo respeito ao colega. “Me respeite Gilmar. Isso não é postura”, respondeu. Gilmar então elevou o tom e escreveu que Kassio deveria sair também do TSE: “Não julguem. Não respeito a quem não se dá respeito. Vc tem de sair do TSE também”.

O presidente do TSE respondeu que não manteria uma conversa nesses termos. “Então não me tecle pois não falo com quem não me respeita”, afirmou. Gilmar voltou a cobrar explicações: “Abra as suas contas antes de julgar qualquer coisa desse caso na turma”.

Kassio disse que não teria problema em prestar esclarecimentos. “Abro com o maior prazer. Há 15 anos que presto contas de tudo. Como juiz. Tramoias…”, respondeu. Gilmar encerrou a conversa com uma referência à família do ministro, antes de ser bloqueado: “Verdade! De sua família…”.

A discussão expõe o agravamento da tensão interna no STF em meio às revelações e disputas relacionadas ao caso Banco Master. Até a publicação desta matéria, não havia manifestação pública dos gabinetes de Gilmar Mendes e Kassio Nunes Marques especificamente sobre o teor das mensagens.