Deputado Romero Albuquerque é acusado de agressão e outros crimes após episódio no Recife; defesa nega irregularidades

Mário Flávio - 18.04.2026 às 08:17h

O deputado estadual Romero Albuquerque (PSB) está sendo acusado de uma série de crimes, incluindo lesão corporal, ameaça, violação de domicílio, roubo, associação criminosa, usurpação de função pública e porte ilegal de arma de fogo. As acusações estão relacionadas a um episódio ocorrido no dia 22 de maio de 2025, no bairro da Estância, na Zona Oeste do Recife.

De acordo com informações apuradas pela polícia, o parlamentar teria ido até a residência de Matheus Fellipe Batista Alves acompanhado de pessoas não identificadas, algumas delas supostamente armadas. A vítima foi filmada dias antes agredindo um cavalo com chicote e pedaço de madeira, o que teria motivado a ação. Romero Albuquerque é conhecido por atuar na defesa dos animais.

Segundo trecho de decisão judicial interlocutória do último dia 31 de março, o grupo liderado pelo deputado teria invadido o imóvel, agredido fisicamente o morador com socos e uma coronhada, feito ameaças e subtraído o telefone celular da vítima. A decisão aponta que a ação teria ocorrido sob a alegação de que o grupo estaria agindo para reprimir um crime ambiental anterior.

Em depoimento prestado à Delegacia de Polícia do Meio Ambiente, Matheus admitiu ter agredido o animal após levar um coice. No entanto, relatou que dias depois foi surpreendido pelas agressões praticadas pelo deputado e outros homens, sendo que um deles estaria armado.

Já Romero Albuquerque afirmou à polícia que esteve no local acompanhado de dois assessores e que houve apenas uma discussão. Segundo ele, o morador teria feito menção de puxar algo da bermuda, o que motivou uma reação em legítima defesa. O parlamentar relatou ainda que entrou em luta corporal com o homem e sofreu lesões. Ele declarou desconhecer que seus acompanhantes estivessem armados.

O advogado da vítima, Josinando de Lima Chung, criticou a condução do caso pela Polícia Civil e afirmou ter encontrado dificuldades para dar andamento à denúncia. Segundo ele, houve tentativa de arquivamento em outra delegacia sob a justificativa de que o caso já estava em tramitação. O defensor afirmou ainda que recorreu ao Ministério Público e acusou o deputado de agir “como se fosse policial”.

O Ministério Público entendeu inicialmente que, por se tratar de um deputado estadual, o caso deveria ser julgado pelo Tribunal de Justiça de Pernambuco. No entanto, o desembargador Alexandre Freire Pimentel decidiu que não há relação entre os fatos e o exercício do mandato parlamentar, afastando o foro privilegiado.

Na decisão, o magistrado destacou que a conduta descrita se enquadra, em tese, como exercício arbitrário das próprias razões, sem vínculo com as atribuições de um deputado. Com isso, determinou o envio do processo para a primeira instância.

Em nota, a assessoria de Romero Albuquerque negou as acusações e afirmou que o parlamentar apenas investigou uma denúncia formal de maus-tratos a um cavalo. Segundo o posicionamento, não houve invasão de domicílio nem prática de qualquer ilegalidade. A defesa sustenta que a conduta foi “estritamente legal”, com acionamento da Polícia Militar, que conduziu o acusado à delegacia.

A nota também afirma que o próprio envolvido teria declarado inicialmente que foi ao local de forma voluntária, o que, segundo a assessoria, contradiz a versão apresentada posteriormente. O texto finaliza destacando que o deputado seguirá atuando na fiscalização de denúncias de crueldade contra animais.