Uma articulação política da governadora Raquel Lyra (PSD) vai provocar nova movimentação na Câmara Municipal do Recife e reacender o embate com o grupo do ex-prefeito e pré-candidato ao governo de Pernambuco, João Campos (PSB). O presidente do PT no Recife, Osmar Ricardo, retornará ao Legislativo na próxima terça-feira (28), assumindo a vaga aberta com a licença da vereadora Flávia de Nadegi (PV).
A mudança ocorre após Flávia aceitar convite do Governo do Estado para presidir o Instituto de Recursos Humanos (IRH). A indicação foi formalizada em reunião com o secretário da Casa Civil, Túlio Vilaça, e comunicada diretamente a Osmar pela própria vereadora.
O retorno do petista, no entanto, não deve ser discreto. Em declarações públicas, Osmar Ricardo deixou claro que voltará ao mandato disposto a endurecer o discurso contra a gestão municipal. “Quando eu voltar, será pau em João Campos. A voz do trabalhador do Recife está de volta”, afirmou, sinalizando que pretende adotar uma postura mais combativa na Casa.
Sem mandato há cerca de dois meses, Osmar avalia que sua ausência pesou nas negociações entre servidores e a Prefeitura do Recife. Além de dirigente partidário, ele também preside o sindicato da categoria e participou diretamente de mobilizações, inclusive com ações de pressão contra a gestão municipal.
O petista reconheceu avanços concedidos durante a administração de João Campos, como reajustes salariais em áreas como Educação e Saúde, mas afirmou que as conquistas ocorreram sob forte pressão dos trabalhadores. Ele também cobrou o envio de novas medidas à Câmara, que, segundo ele, precisam ser aprovadas ainda neste mês para garantir efeitos já em maio.
Nos bastidores, a nomeação de Flávia de Nadegi para o IRH é vista como um gesto político da governadora Raquel Lyra para reposicionar Osmar no cenário local. O movimento ocorre após episódios de tensão envolvendo o petista, como a tentativa de instalação de uma CPI na Câmara para investigar a nomeação de um advogado como procurador municipal na cota de pessoa com deficiência — proposta que acabou barrada pela maioria governista.
Vale lembrar que o PT oficialmente apoia João Campos e indicou Humberto Costa para uma das vagas ao senado, no entanto, a bancada petista na Assembleia, por exemplo, é toda raquelzista.
