Zé Carlos Menezes diz que saiu da prefeitura de Caruaru após pressão de Fernando Lucena

Após quase dois anos o ex-secretário Zé Carlos Menezes resolveu quebrar o silêncio sobre a saída dele da gestão Raquel Lyra (PSDB). De acordo com ele, a crise para culminar com a demissão começou devido a recusa em alugar caminhões fora do preço de mercado. As revelações aconteceram no programa Caruaru Rural, que ele comanda aos sábados na Rádio Caruaru FM.

“Chegou em minha mesa um contrato para alugar nove caminhões caçamba. O valor por mês era de 22 mil e achei estranho. Fiz uma pesquisa de mercado, vi que era cerca de 13 mil. Chamei a prefeita e disse que iríamos ter problemas com o Ministério Público, caso contratasse por aquele valor. Ela concordou e pediu que arrumasse uma solução. Chamei o dono da empresa, de início ele não quis acordo, mas depois ele aceitou a redução no valor para 13 mil reais. Mas após esse fato criou-se um clima estranho em relação a mim na secretaria”, disse.

Ainda de acordo com ele houve a interferência direta de Fernando Lucena, marido de Raquel, para a sua saída. “Eu ia para as reuniões com Raquel e ela sempre estava muito tensa. Então um amigo radialista me liga e diz que eu iria ser demitido e que Fernando ia indicar o novo secretário. Fui até Raquel e perguntei se era verdade, ela negou, mas eu não sou menino e percebi. Não restava outra solução a não ser ir embora”, disse.

Ainda segundo Menezes a eleição de 2016 foi crucial para que o processo de fritura dele no governo acontecesse. “Fernando queria ser candidato a deputado estadual, ele se preparou para isso. Era uma eleição muito delicada para o nosso conjunto, era o meio do governo e ainda não tínhamos a aprovação que deveria. João Lyra fez um argumento para Raquel e disse a ela que não tinha gordura, capilaridade suficiente para bancar uma candidatura desse porte. O governo não tinha se consolidado, seria muito arriscado, uma derrota prejudicaria o nosso conjunto. Raquel entendeu e conversou com Fernando. Ele não gostou, mas aceitou. João estava certo, já que a candidata apoiada por Raquel, Priscila Krause, só teve apenas 7 mil votos naquela eleição”, informa.

Na avaliação de Zé Carlos Menezes, para amenizar a situação e manter a influência de Fernando no governo, Raquel deu a ele a indicação da secretaria de Serviços Públicos e foi nomeado Bruno França, ligado a ele. “Foi um erro dela. Ele tomou gosto e ficou pressionando pela secretaria de Agricultura e o clima ficou ruim na secretaria. Houve muita ingerência e pessoas ligadas a Fernando me procuraram várias vezes para alugar um caminhão para transportar máquinas e disse que não tinha sentido o aluguel, já que tínhamos um próprio que fazia o serviço e o aluguel iria custar 15 mil por mês e decidi não alugar. Dali em diante o clima só piorou”, pontua.

O ex-secretário lembrou ainda da eleição do Conselho de Agricultura, quando após o governo ser derrotado, teve a lealdade questionada. “Teve a eleição do Conselho de Agricultura Familiar e ela (Raquel) fez algumas colocações que me deixou muito espantado. Era uma eleição diretamente ligada a minha secretaria e eu sequer fui procurado, ela colocou outras pessoas para coordenar essa eleição, mas tudo bem, a prefeita tem todo o poder de escolher e ela fez isso, colocou uma equipe para coordenar a eleição. Vi o processo embolado e avisei que daquele jeito a gente ia perder. Ela disse que não, as pessoas estavam cuidando, ia ganhar a eleição, mas perderam. Foi quando chegou ao fim o meu tempo na secretaria. Ela chegou a mim e disse: ‘você não foi leal comigo e apoio a chapa que estava com Queiroz‘ e isso me doeu muito”, relembrou.

Com a palavra a perfeita Raquel Lyra e o empresário Fernando Lucena. Abaixo segue o link com a integração do programa.

https://youtu.be/aPvaIA-YRaE