Coligação de Raquel aciona TRE-PE contra João Campos e pede investigação sobre perfis nas redes

Mário Flávio - 30.09.2026 às 15:10h

A Coligação Pernambuco de Coração, que apoia a governadora e candidata à reeleição Raquel Lyra (PSD), ingressou com uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) no Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco (TRE-PE) contra o candidato ao governo João Campos (PSB), o candidato a vice-governador Carlos Costa (Republicanos) e administradores de perfis nas redes sociais. A ação pede que a Justiça apure suspeitas de abuso de poder político e econômico e uso indevido dos meios de comunicação.

Entre os perfis citados estão “Raquel Bolada” e “João Campos Platinado”, além de páginas como “@jefinhodeolinda”, “@rodrigocastelli.pe”, “@esquerdape”, “@paulistaresiste”, “@pernambuco40_joaocampos”, “@jatobaordinario”, “@brunocribeiro_ofc” e “@tocomjoaobuique”. A coligação também solicita o acompanhamento do caso pelo Ministério Público Eleitoral.

A ação pede a quebra dos sigilos bancário e fiscal de Eduardo da Silva Souza, apontado como responsável pelos perfis “@raquel_bolada”, no Instagram, e “@eduardoninoof”, no TikTok; de Marcelo Augusto Serra Diniz, ligado ao perfil “@marcelodinizpe”; e das empresas MD Inteligência Digital Ltda. e U Porto Agência de Publicidade Ltda. O pedido é limitado ao período entre 1º de junho e 4 de outubro de 2026 e a operações envolvendo empresas, órgãos e pessoas mencionados no processo. Segundo a coligação, a medida busca identificar pagamentos, recebimentos, valores, datas e justificativas declaradas.

A peça também solicita que a Prefeitura do Recife apresente, em até dez dias, o contrato com a Pernambuco Conservadora Ltda. e a relação de trabalhadores alocados na Secretaria de Articulação Política e Social. A coligação pede informações sobre eventual vínculo de Eduardo Souza, conhecido como Eduardo Nino, com a empresa, incluindo lotação, jornada e registros de frequência. O pedido menciona notícias da imprensa segundo as quais ele trabalharia na secretaria.

Outro requerimento é para que sejam apresentados o plano de mídia e os pedidos de inserção destinados ao Blog Marcelo Diniz e à MD Inteligência Digital, acompanhados de notas fiscais, ordens de pagamento e comprovantes de veiculação. A ação pede ainda informações sobre faixas de endereços IP das redes de dados da Prefeitura, inclusive de acessos remotos.

A coligação afirma haver indícios de conexões técnicas, operacionais, financeiras e administrativas entre os investigados. Também aponta que os responsáveis por diferentes perfis teriam sido representados, em processos anteriores, pelo mesmo advogado, Celso Rocha Barbosa Souza. A ação pede que esses elementos sejam apurados para verificar se os perfis atuaram de forma coordenada com finalidade político-eleitoral, para prejudicar Raquel Lyra e favorecer João Campos.

A petição menciona ainda informações publicadas pela imprensa sobre a atuação de Celso Souza como assessor comissionado em um gabinete de vereador do Recife filiado ao PSB e sobre o escritório Rocha & Pinto Advogados Associados, do qual ele é proprietário. O escritório tem como sócio Américo Pinto, descrito na ação como amigo de João Campos e do deputado federal Pedro Campos. A coligação também cita decisão judicial de 11 de setembro que suspendeu um contrato de R$ 180 mil entre o escritório e a Prefeitura de Garanhuns e determinou o bloqueio de pagamentos. O município é governado pelo prefeito Sivaldo Albino (PSB).

A ação solicita que sejam incorporados à investigação documentos e registros de representações eleitorais e medidas cautelares anteriores, especialmente os relacionados à identificação de administradores, publicações e interações digitais. O pedido também aponta Facebook e TikTok como possíveis destinatários de ordens judiciais. As suspeitas e conexões descritas são alegações da coligação e dependem de apuração pela Justiça Eleitoral.