A Frente Popular de Pernambuco apresentou uma notícia de fato ao Ministério Público Eleitoral pedindo a apuração da relação entre um policial civil da ativa e a empresa que recebeu R$ 2,5 milhões da campanha da governadora e candidata à reeleição Raquel Lyra (PSD).
Segundo a representação, Uberdan de Menezes Matos Junior constava como sócio-administrador da empresa Rede de Negócios e Produção de Eventos desde setembro de 2022. A empresa teria sido contratada pela coligação de Raquel Lyra para serviços de contratação e gestão de militância, com pagamento registrado em 28 de agosto deste ano.
A Frente Popular sustenta que, na data do repasse, Uberdan ainda exercia função de administrador da empresa. Cinco dias depois, conforme a denúncia, a mãe do policial, Sandra Nazaré Chagas do Amaral, passou a aparecer como administradora. A coligação liderada por João Campos (PSB) pede a verificação das alterações societárias, da efetiva prestação dos serviços e de eventual uso de interposta pessoa para ocultar a continuidade do vínculo do policial com a empresa.
A representação também aponta divergências na prestação de contas eleitoral. De acordo com o documento, em 8 de setembro, a campanha de Raquel Lyra havia informado R$ 11,8 milhões em receitas e nenhum gasto. Em consulta realizada nesta quarta-feira (17), passaram a constar R$ 7,63 milhões em despesas, incluindo os R$ 2,5 milhões destinados à Rede de Negócios e Produção de Eventos, o maior valor recebido por um fornecedor da campanha.
Outro questionamento levantado é a situação cadastral da empresa, que, segundo a Frente Popular, estaria inapta para contratações no período do serviço. A notícia de fato cita ainda a vedação prevista na Lei Federal nº 8.112/1990 para que servidores públicos atuem como administradores de empresas.
Uberdan também é citado por ter sido filmado armado durante um ato político do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), realizado no Recife na última terça-feira (16). O episódio terminou com uma pessoa ferida após um disparo de arma de fogo.
A Frente Popular pede a preservação de imagens, registros financeiros e documentos empresariais, além da instauração de procedimento investigatório para apurar as denúncias. O espaço segue aberto para manifestação da campanha de Raquel Lyra e da defesa do policial citado.
