O Bastidor.PE divulgou uma nota à sociedade nesta segunda-feira (7) na qual contesta os rumos das diligências relacionadas aos panfletos apócrifos com ataques à governadora Raquel Lyra (PSD). O portal afirma que realizou apuração presencial antes da publicação das imagens e manifesta preocupação com o que considera uma ameaça ao sigilo da fonte.
A manifestação ocorre em meio à investigação sobre a autoria, produção, financiamento e distribuição do material. Nesta segunda, o Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco (TRE-PE) negou pedido liminar apresentado por Rodrigo Ambrósio e Fillipe Vilar, responsáveis pelo Bastidor.PE, que buscava suspender diligências relacionadas à apuração sobre a origem da fotografia divulgada pelo veículo.
Na nota, o Bastidor.PE afirma que recebeu uma denúncia sobre a presença dos cartazes no Recife Antigo e, a partir da informação, enviou um repórter para verificar a situação. Segundo o portal, a equipe encontrou exemplares físicos em diferentes pontos da região, realizou registros e somente depois publicou o conteúdo.
O veículo também questiona a retirada dos cartazes realizada pela Prefeitura do Recife. De acordo com a nota, a remoção teria sido determinada ainda no domingo, 30 de agosto, por meio do Ofício SEOPS/SECON/AJ nº 312/2026, antes da posterior determinação judicial para recolhimento e preservação de exemplares remanescentes.
A partir disso, o Bastidor.PE questiona qual teria sido o destino do material recolhido pelos agentes municipais e se foram preservados exemplares, fotografias, relatórios ou outros registros que possam contribuir com a investigação.
O portal argumenta ainda que a ausência posterior dos cartazes nas ruas não deveria ser utilizada para colocar em dúvida a existência do material, uma vez que, segundo sua versão, houve uma operação da Prefeitura para retirá-lo.
Outro ponto levantado envolve as câmeras de segurança existentes no Recife Antigo. O Bastidor.PE questiona por que ainda não teriam sido apresentadas imagens capazes de identificar pessoas envolvidas na colocação dos cartazes, citando especificamente a Rua Bione, onde afirma ter registrado exemplares.
A nota também estabelece uma comparação com imagens apresentadas pela Frente Popular de Pernambuco referentes a outro episódio envolvendo cartazes contra João Campos (PSB). O veículo questiona por que registros de colagens daquele caso teriam sido localizados enquanto, segundo o portal, imagens semelhantes relacionadas aos ataques contra Raquel Lyra ainda não vieram a público.
O Bastidor.PE afirma que não pretende antecipar respostas para esses questionamentos e defende que os esclarecimentos sejam apresentados pelas autoridades responsáveis pela investigação e pelos órgãos que eventualmente detenham os registros.
No trecho mais crítico da manifestação, o portal argumenta que a apuração deveria permanecer concentrada na identificação de quem produziu, financiou, imprimiu, distribuiu e colocou os panfletos nas ruas. Para o veículo, as diligências sobre o caminho percorrido pelas imagens até chegarem à redação podem atingir a proteção constitucional ao sigilo da fonte.
“O Bastidor.PE não colocou os cartazes nas ruas”, afirma a nota. O portal sustenta que recebeu a denúncia, verificou presencialmente a existência do material e publicou a informação.
O veículo também defende que o sigilo da fonte não representa um privilégio de jornalistas, mas uma garantia necessária ao exercício da liberdade de imprensa e à possibilidade de cidadãos fornecerem informações de interesse público sem terem suas identidades reveladas.
Ao final, o Bastidor.PE afirma ser favorável à continuidade da investigação para identificar os responsáveis pelos cartazes, mas diz que continuará preservando suas fontes e exercendo sua atividade jornalística.
“O Bastidor.PE noticiou os fatos. Agora, cabe às autoridades descobrir quem os praticou”, conclui a nota.
