Jurídico de João Campos apresenta ações contra governo do estado e aponta supostos abusos e “milícia digital”

Mário Flávio - 27.08.2026 às 12:16h

A equipe jurídica do candidato ao Governo de Pernambuco João Campos (PSB) apresentou, nesta quinta-feira (27), uma série de medidas judiciais contra a governadora e candidata à reeleição Raquel Lyra (PSD). Durante coletiva realizada no Novotel, no Recife, os advogados detalharam acusações que envolvem supostos casos de espionagem, abuso de poder político e econômico e a existência de uma “milícia digital” que teria atuado contra adversários da governadora.

Entre as medidas está uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) apresentada ao Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco (TRE-PE). O jurídico da Frente Popular também anunciou representações e denúncias a órgãos de controle para que os fatos sejam investigados.

Entre os episódios citados pelos advogados estão denúncias relacionadas a uma suposta espionagem; utilização de ônibus fretados; uso do avião da governadora; possível abuso de poder político e econômico, incluindo questionamentos sobre gastos com publicidade; retirada de marcas e slogans associados à gestão estadual; além da atuação da suposta rede digital contra adversários políticos.

Um dos principais pontos apresentados está relacionado às recentes reportagens sobre uma investigação da Polícia Federal em Pernambuco envolvendo uma empresa suspeita de operar uma rede de perfis nas redes sociais para disseminar informações falsas e atacar adversários políticos.

Reportagem exibida pela Record apresentou uma gravação atribuída a Amisadai Andrade da Silva na qual ele fala sobre ações destinadas a “desidratar” politicamente João Campos. Segundo a emissora, o material foi encaminhado à Polícia Federal. Amisadai ocupava cargo ligado à Arena de Pernambuco e foi exonerado pelo Governo do Estado após a repercussão do caso.

João Campos elevou o tom das críticas após a divulgação das informações. Durante agenda em Vicência, o candidato afirmou que o suposto esquema teria utilizado recursos públicos para atacar adversários e alegou que a operação teria sido “decidida e negociada dentro do Palácio”, em referência ao Palácio do Campo das Princesas. Ele também anunciou que sua equipe jurídica buscaria a responsabilização dos eventuais envolvidos.

Raquel Lyra nega participação no suposto esquema e atribui as acusações a uma ofensiva dos adversários políticos. A governadora afirma que seu grupo também tem sido alvo de ataques e declarou já ter recorrido ao TRE-PE, ao Tribunal de Justiça e às esferas criminal e cível.

Ao comentar especificamente o episódio envolvendo Amisadai Andrade, Raquel confirmou a exoneração do então servidor e afirmou que seriam adotadas as “medidas cabíveis” para o esclarecimento dos fatos.

A governadora também reagiu às acusações citando o que classificou como “velhas práticas” do PSB e afirmou que seu grupo denunciou às autoridades a suposta existência de um “gabinete do ódio” ligado aos adversários.