A disputa pelo Governo de Pernambuco coloca frente a frente duas forças que podem ser decisivas na eleição de outubro. De um lado, João Campos (PSB) aposta na aliança com o presidente Lula (PT) e na força eleitoral do petista no Estado. Do outro, Raquel Lyra (PSD) chega à campanha tentando transformar a avaliação positiva de sua administração em votos para conquistar a reeleição.
Os números mais recentes do Datafolha ajudam a dimensionar o desafio. A pesquisa divulgada na última sexta-feira (21) mostrou Raquel com 47% das intenções de voto, contra 40% de João Campos. A margem de erro é de três pontos percentuais.
O levantamento também apontou um ativo importante para a governadora. Segundo o Datafolha, 50% dos entrevistados classificaram sua administração como ótima ou boa, enquanto 30% consideraram regular e 18%, ruim ou péssima. Quando perguntados diretamente sobre o trabalho da governadora, 66% disseram aprová-lo e 29% desaprová-lo.
João, por sua vez, tem na presença de Lula uma das principais armas para tentar mudar o cenário. Pernambuco historicamente entrega votações expressivas ao petista, e a campanha da Frente Popular procura associar o projeto estadual à candidatura presidencial.
A estratégia, entretanto, esbarra em um fenômeno que começa a aparecer também em outros estados nordestinos: a popularidade de Lula não necessariamente significa transferência automática de votos para seus aliados nas disputas estaduais.
A eleição pernambucana deverá testar justamente o peso dessas duas forças. João tentará nacionalizar parte da disputa e aproveitar a identificação do eleitor pernambucano com Lula, enquanto Raquel buscará manter o debate concentrado nas entregas de sua gestão e na avaliação do governo.
Com a campanha nas ruas e o início da propaganda eleitoral no rádio e na televisão se aproximando, a capacidade de cada candidato de impor sua narrativa tende a ganhar ainda mais importância nas próximas pesquisas.

