Um levantamento que reúne resultados de pesquisas Datafolha e das eleições para o Governo de Pernambuco desde 1998 aponta uma coincidência histórica relevante para a disputa de 2026: nas sete eleições estaduais anteriores analisadas, o candidato que aparecia na liderança das pesquisas realizadas aproximadamente 30 a 40 dias antes da votação terminou o primeiro turno na primeira colocação.
Neste ano, a governadora Raquel Lyra (PSD), candidata à reeleição, ocupa essa posição. No Datafolha realizado entre os dias 21 e 22 de agosto, ela aparece com 47% das intenções de voto. A eleição, no entanto, ainda está em andamento, e o histórico das pesquisas anteriores não permite antecipar o resultado das urnas.
A série começa em 1998, quando Jarbas Vasconcelos (PMDB) aparecia com 56% no Datafolha realizado em junho. No primeiro turno, foi eleito com 64,1% dos votos válidos. Quatro anos depois, Jarbas voltou a liderar o instituto, com 64% em agosto de 2002, e terminou a eleição com 60,4% dos votos válidos.
Em 2006, Mendonça Filho (PFL) liderava os levantamentos realizados entre agosto e setembro. No primeiro turno daquele ano, ficou na primeira posição, com 39,3% dos votos válidos. A eleição seguiu para o segundo turno, quando Eduardo Campos (PSB) acabou eleito governador.
Já em 2010, Eduardo chegou à reta final da campanha em ampla vantagem. Pesquisa Datafolha realizada entre 9 e 12 de agosto daquele ano apontava 62% das intenções de voto para o socialista. Nas urnas, ele foi reeleito no primeiro turno com 82,8% dos votos válidos.
O fenômeno voltou a ocorrer com Paulo Câmara (PSB). Em setembro de 2014, o então candidato liderava o Datafolha com 39% e terminou eleito no primeiro turno com 68,1% dos votos válidos. Em 2018, Câmara tinha 34% no levantamento realizado entre 4 e 6 de setembro e conquistou a reeleição com 50,7% dos votos válidos.
A eleição de 2022 apresenta uma diferença importante. Segundo o estudo, não foi possível recuperar o percentual exato de uma pesquisa Datafolha na janela específica utilizada na comparação. Os levantamentos disponíveis do período, porém, apontavam Marília Arraes (então no Solidariedade) na liderança. Ela confirmou a primeira colocação no primeiro turno, com 23,97% dos votos válidos, mas perdeu a disputa no segundo turno para Raquel Lyra.
Com isso, o levantamento registra que, de 1998 a 2022, os sete candidatos que lideravam o Datafolha — ou os levantamentos disponíveis na janela analisada nos casos de 2006 e 2022 — chegaram ao fim do primeiro turno na primeira posição.
A comparação histórica ganha atenção em 2026 porque Raquel Lyra aparece com 47% na pesquisa mais recente do Datafolha, realizada a pouco mais de um mês da votação. O dado coloca a governadora na mesma posição ocupada, nesse estágio das campanhas anteriores, pelos candidatos que posteriormente terminaram o primeiro turno na liderança.
O histórico, contudo, não representa uma projeção eleitoral. Além das mudanças que podem ocorrer durante a campanha, a comparação reúne eleições com cenários, candidatos, índices de indecisos e metodologias de pesquisa distintos. O próprio estudo ressalta que seu objetivo é comparar a posição relativa dos candidatos nas pesquisas pré-eleitorais com o resultado efetivamente registrado nas urnas.
