Lula lidera em número de palanques estaduais; Flávio Bolsonaro amplia alianças e disputa segue indefinida em sete estados

Mário Flávio - 29.07.2026 às 14:53h

Às vésperas da conclusão das convenções partidárias para as eleições de 2026, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparece como o presidenciável com a maior rede de apoios estaduais entre os principais nomes na disputa pelo Palácio do Planalto. Levantamento do Congresso em Foco aponta que o petista conta com candidatos ao governo alinhados em 25 estados e no Distrito Federal, enquanto Roraima permanece sem definição após a desistência da candidatura do PT.

Na segunda colocação está o senador Flávio Bolsonaro (PL), que reúne apoiadores em 20 unidades da Federação, número que pode aumentar caso o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) confirme candidatura ao Governo de Minas Gerais. Sem considerar Minas, o parlamentar tem 19 palanques consolidados e enfrenta indefinições em sete estados: Alagoas, Amapá, Bahia, Ceará, Maranhão, Pernambuco e Tocantins.

O levantamento considera os cinco primeiros colocados na pesquisa AtlasIntel/Bloomberg divulgada nesta quarta-feira (29): Lula, Flávio Bolsonaro, Renan Santos (Missão), Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD). A metodologia leva em conta candidatos ao governo que declararam apoio aos presidenciáveis, estabeleceram acordos políticos com reciprocidade ou demonstraram alinhamento consistente. A simples presença do partido do presidenciável em uma coligação estadual não foi considerada suficiente para caracterizar apoio.

Lula reúne 27 possíveis palanques distribuídos em 26 unidades federativas. No Distrito Federal, o presidente pode contar com duas candidaturas: Leandro Grass (PT) e Ricardo Cappelli (PSB). Entre os aliados, o PT lidera com 12 candidatos, seguido pelo PSD, com cinco, e pelo PSB, com quatro. MDB e PDT aparecem com dois nomes cada, enquanto PP e União Brasil contribuem com um candidato.

A presença de candidatos do PSD no campo de Lula evidencia a ampliação da base do presidente para além dos partidos de esquerda. Estão nesse grupo Omar Aziz (Amazonas), Natasha Slhessarenko (Mato Grosso), Eduardo Paes (Rio de Janeiro), Fábio Mitidieri (Sergipe) e Laurez Moreira (Tocantins). Apesar disso, diversos candidatos buscam preservar alianças regionais e evitar que as disputas estaduais sejam nacionalizadas.

Minas Gerais segue como o principal foco de indefinição para Lula e Flávio Bolsonaro. Após a desistência do senador Rodrigo Pacheco (PSB) de disputar o governo mineiro, o PT reorganizou sua estratégia e lançou o deputado Patrus Ananias como candidato ao Executivo estadual. O estado é considerado estratégico por seu peso eleitoral e pelo histórico de acompanhar o vencedor da eleição presidencial desde 1989.

O levantamento também destaca que alianças estaduais nem sempre resultam em apoio ao mesmo candidato à Presidência. No Ceará, por exemplo, o PL integra a coligação que apoia Ciro Gomes (PSDB) ao governo estadual, mas o ex-governador não assumiu compromisso de pedir votos para Flávio Bolsonaro. O próprio presidente estadual do PL, André Fernandes, afirmou que o acordo é restrito à disputa local, mantendo o estado como indefinido no mapa presidencial.

Situação semelhante ocorre na Bahia. Embora o PL componha a chapa de ACM Neto (União Brasil), o candidato ao governo declarou apoio à candidatura presidencial de Ronaldo Caiado e liberou os partidos aliados para adotarem posições distintas na disputa nacional.

Em Pernambuco, o cenário também evidencia a autonomia das campanhas estaduais. A governadora Raquel Lyra (PSD), candidata à reeleição, mantém boa relação institucional com o governo federal, mas o presidente Lula declarou apoio ao prefeito do Recife, João Campos (PSB), na disputa pelo Governo do Estado. Por esse motivo, João Campos aparece como o principal palanque lulista em Pernambuco, enquanto Raquel Lyra tende a manter uma posição de neutralidade na eleição presidencial.

O levantamento mostra ainda que Ronaldo Caiado enfrenta dificuldades para consolidar apoio dentro do próprio PSD. Das 11 candidaturas da legenda aos governos estaduais analisadas, apenas quatro devem pedir votos para o governador de Goiás. Já Romeu Zema concentra praticamente toda sua base no Novo, com oito dos nove palanques ligados ao partido. Renan Santos, por sua vez, reúne sete apoios estaduais, todos de candidatos da legenda Missão.