André Teixeira Filho: a peça estratégica de Raquel Lyra para a campanha

Mário Flávio - 07.07.2026 às 09:04h

A campanha pela reeleição da governadora Raquel Lyra (PSD) será marcada por um desafio que todo chefe do Executivo enfrenta ao disputar um novo mandato: conciliar a administração do Estado com a intensa agenda política exigida por uma eleição. Nesse cenário, mais importante do que grandes discursos é contar com pessoas de absoluta confiança, capacidade técnica e habilidade política. É justamente aí que ganha força o nome de André Teixeira Filho.

A decisão de afastá-lo da Secretaria de Infraestrutura ainda no início de abril foi interpretada, naquele momento, como parte de um projeto para lançá-lo candidato a deputado federal. Não era uma leitura equivocada. André reunia credenciais para entrar na disputa, após comandar uma das pastas mais estratégicas do Governo de Pernambuco e participar diretamente da execução de obras estruturadoras em diversas regiões do Estado.

Entretanto, o cenário eleitoral mudou. O PSD fortaleceu sua chapa proporcional com a chegada de deputados federais, entre eles Júnior Uchôa e Fernando Monteiro. Também filiou Túlio Gadelha, que disputará uma vaga ao Senado. Com esse novo desenho, a candidatura de André Teixeira Filho deixou de ser prioridade, mas sua importância para o projeto político da governadora cresceu ainda mais.

Nos bastidores do Palácio do Campo das Princesas, André é reconhecido como um dos auxiliares mais preparados da gestão. Advogado, com sólida formação técnica e perfil discreto, conquistou a confiança de Raquel Lyra ao participar de decisões estratégicas do governo e acompanhar de perto algumas das principais entregas da administração estadual. Não por acaso, seu nome continua sendo tratado como um dos mais influentes do núcleo político da governadora.

A campanha oficial começa, na prática, após as convenções partidárias. A partir daí, Raquel terá que dividir seu tempo entre as responsabilidades de governadora e a condição de candidata à reeleição. Pela legislação eleitoral, a agenda política ficará restrita aos períodos fora do expediente, exigindo uma coordenação extremamente eficiente para que governo e campanha caminhem em sintonia.

É justamente nesse ponto que André Teixeira Filho pode exercer um papel decisivo. Mais do que coordenar compromissos, ele conhece a estrutura administrativa, domina os principais programas do governo e possui capacidade para dialogar tanto com prefeitos quanto com lideranças políticas e setores da sociedade. São atributos que fazem dele uma das peças mais qualificadas para ajudar a organizar uma campanha que promete ser uma das mais disputadas da história recente de Pernambuco.

Outro fator que fortalece a estratégia da governadora foi a consolidação da aliança com Mendonça Filho, que, mesmo filiado ao PL, manteve o compromisso de apoiar a reeleição de Raquel Lyra e trabalhou para evitar uma candidatura própria do partido ao Governo do Estado. O movimento reduziu o risco de fragmentação do eleitorado de centro e de direita, ampliando as chances de competitividade da atual governadora no primeiro turno.

Enquanto João Campos (PSB) disputa a eleição sem as limitações impostas a quem ocupa um cargo público, já que renunciou à Prefeitura do Recife em abril, Raquel precisará administrar o Estado e fazer campanha ao mesmo tempo. Para isso, dependerá de um núcleo político altamente eficiente e de auxiliares capazes de transformar as realizações do governo em discurso eleitoral.

Nesse contexto, André Teixeira Filho deixa de ser apenas um ex-secretário que poderia disputar um mandato parlamentar. Torna-se um dos principais ativos políticos da campanha de Raquel Lyra. Em eleições competitivas, nem sempre os personagens mais importantes são aqueles que aparecem na urna. Muitas vezes, a vitória começa a ser construída por quem trabalha nos bastidores, articula alianças, organiza estratégias e garante que a campanha tenha direção. André reúne todas essas características e, por isso, tende a ocupar um papel central na caminhada da governadora rumo às urnas.